Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
Busco na lembrança
Até onde minha mente
Tresloucada alcança
Onde plantei a semente
Que germinou a descrença
E refreou a esperança.
Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
Sei que sem perceber,
Nem sentir, nem querer
A tenho feito infeliz
E não porque assim quis,
Mas por não atinar
Com o quanto a posso magoar.
Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
Sem me poder desculpar
Já que não paro de errar
Ainda que a tenha tão perto
Não encontro o caminho, por certo,
Que a traga pra junto de mim
E sufoque sua mágoa, enfim.
Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
Aceito que a culpa me cabe
E também que ela já sabe
Que perdi o caminho e a mão,
Que não sei mais o que é sedução,
Mesmo amando com tanto fervor,
Incompetente ao mostrar meu amor.
Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
A tristeza no olhar me fere
Tal qual o cinzel que desfere,
Na pedra mais dura o artista,
Para expor o que lá exista,
No meu âmago se encontra gravado
Como é injusto o meu pecado!
Estou tão triste
E é por vê-la tão triste…
Sei que minh´alma é mesquinha
Por querê-la sempre, só minha.
Sua lágrima de dor me incrimina,
Fundo me fende, triste olhar de menina
E rasga meu peito e me inculpa…
Só me resta reconhecer: “mea culpa”!
Joffre Sandin